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A lógica da criação - música de Oswaldo Montenegro

Sou fã de carteirinha do Oswaldo Montenegro. Já citei várias vezes por aqui. Mas sei que em minha essência, não consigo admirar nada só pela beleza e assim também é com Oswaldo.

Gosto de suas músicas em grande parte pela melodia e sua voz com um timbre que me traz paz. Gosto mais ainda de suas interpretações tanto de músicas próprias quanto de músicas de outros compositores, como o fantástico disco em homenagem à Chico Buarque. Mas pra ser totalmente sincero, admiro muito mais suas composições.

Algumas de suas letras exaltam a felicidade pura enquanto outras uma tristeza intrínseca. Mas muitas de suas músicas embutem questionamentos que passam despercebidos por muitos mas que renderiam boas horas de conversa com as pessoas certas.

Ontem foi a minha vez de "prestar a atenção" a uma das músicas e novamente me perguntar como é que ele, Oswaldo, conseguiu resumir algo que me é nebuloso. Ouça a música e acompanhe a letra abaixo.

O mérito é todo dos santos
O erro e o pecado são meus
Mas onde está nossa vontade
Se tudo é vontade de Deus

Apenas não sei ler direito
A lógica da criação
O que vem depois do infinito
E antes da tal explosão

Por que que o tal ser humano
Já nasce sabendo do fim
E a morte transforma em engano
As flores do seu jardim

Por que que Deus cria um filho
Que morre antes do pai
E não pega em seu braço amoroso
O corpo daquele que cai

Se o sexo é tão proibido
Por que ele criou a paixão
Se é ele que cria o destino
Eu não entendi a equação

Se Deus criou o desejo
Por que que é pecado o prazer
Nos pôs mil palavras na boca
Mas que é proibido dizer

Porque se existe outra vida
Não mostra pra gente de vez
Por que que nos deixa no escuro
Se a luz ele mesmo que fez

Por que me fez tão errado
Se dele vem a perfeição
Sabendo ali quieto, calado
Que eu ia criar confusão

E a mim que sou tão descuidado
Não resta mais nada a fazer
Apenas dizer que não entendo
Meu Deus como eu amo você.

Lembro da primeira vez que ouvi esta música, a surpresa que tive quando ouvi a última frase. Foi um daqueles momentos onde a gente para, interrompe tudo que está fazendo, todos os planos, e volta desde o começo pra re-ver, re-ouvir, re-pensar tudo sob uma nova ótica.

Um dos primeiros livros que li sobre espiritualidade, o personagem tinha muitas dúvidas assim como na música, mas o maior questionamento era exatamente o que estas dúvidas o tornavam. Se ele chegava a duvidar se Deus realmente era aquele Deus que ele aprendera na religião, isso o tornava um infiel? um descrente? um ateu? No livro, o personagem chegou à conclusão de que Deus também o aceitaria tendo todas essas dúvidas pois os questionamentos eram fruto da razão e do arbítrio, supostamente criados pelo próprio Deus.

Esta letra do Oswaldo me faz lembrar esse personagem do livro, pois ataca diretamente muitos dos dogmas de todas as religiões. E como já falei bastante por aqui, joguei fora todos os dogmas que não são meus e não tenho vergonha em admitir minha total ignorância.

Assim, empresto as palavras da música para terminar com uma absurda contradição:

" Apenas dizer que não entendo. Meu Deus, como eu amo você. "

Até mais,

Ed

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